Oi! Você está procurando o "Arlequinal", né?
Bom, agora ele só vai existir como uma caixinha. A caixinha onde guardo as coisas que me fazem pensar no que oprime ou liberta meu coração.
Vai funcionar exatamente como descrito no título: "Colcha de Retalhos e/ou Rapsódia".
Desde 2003, foi a minha casa querida que a pouco e pouco construí. Não só, é verdade. Nunca esqueço os co-autores que me ajudaram a ficcionar o blog e a vida.
Não lamentem os posts apagados. Já era hora de fazer uma outra caixinha, outra casinha, um ninho!
No momento, estou mafagafinhando com o amigo Murillo Marques no ...postelunar... .
Sua visita será muito bem vinda, aguardamos!
Beijo.
Marcela P. (Arlequinal)
Pois é...
Pois é
(Chico Buarque)
Pois é! Fica o dito e o redito Por não dito E é difícil dizer Que ainda é bonito Cantar o que me restou de ti
Taí! Nosso mais-que-perfeito Está desfeito E o que me parecia Tão direito Caiu desse jeito Sem perdão...
Então! Disfarçar minha dor Eu não consigo dizer Que nós somos bons amigos É muita mentira para mim...
Enfim! Hoje na solidão Ainda custo A entender como o amor Foi tão injusto Prá quem só lhe foi Dedicação Pois é!
Taí! Nosso mais-que-perfeito Está desfeito O que me parecia Tão direito Caiu desse jeito Sem perdão...
Então! Disfarçar minha dor Eu não consigo dizer: Somos sempre bons amigos É muita mentira para mim...
Enfim! Hoje na solidão Ainda custo A entender como o amor Foi tão injusto Prá quem só lhe foi Dedicação Pois é! Então!
"Fugira dela, tentando aniquilar a sua lembrança, não só com a distância, mas também com um encarniçamento confuso que os companheiros de armas qualificavam de temeridade; quanto mais, porém, pisoteava a sua imagem na estrumeira da guerra, mais a guerra se parecia com Amaranta."
"Amaranta estava perdida demais no labirinto das suas lembranças para entender aquelas sutilezas apologéticas. Tinha chegado à velhice com todas as suas lembranças vivas. (...) Às vezes lhe doía ter deixado com a sua passagem aquele riacho de miséria e às vezes sentia tanta raiva que espetava os dedos nas agulhas, porém mais lhe doía e com mais raiva ficava e mais lhe amargava o fragrante e bichado goiabal do amor que ia arrastando até a morte."
Perdi vinte em vinte e nove amizades Por conta de uma pedra em minhas mãos Me embriaguei morrendo vinte e nove vezes Estou aprendendo a viver sem você Já que você não me quer mais passei vinte e nove meses num navio E vinte e nove dias na prisão E aos vinte e nove com o retorno de saturno Decidi começar a viver Quando você deixou de me amar Aprendi a perdoar e a pedir perdão E vinte e nove anjos me saudaram E tive vinte e nove amigos outra vez
Quando começar o frio, dentro de nós tudo em volta parece tão quieto tudo em volta não parece perto toda volta parece o mais certo certo é estar perto sem estar perto de você, sou tão perto de você, sou tão perto de você
Quando o tempo não passar, dentro de nós cada hora é como uma semana cada novo alô é mais bacana cada carta que eu nunca recebo é sempre um motivo pra lembrar sou tão perto de você
vida amarga, como é doce a dor
da palavra dita de tão longe, d
ta de tão longe, dita de tão longe...
Quando alguém se machuca, dentro de nós toda culpa parece resposta nossa busca não parece nossa nosso dia já não tem mais festa não tem pressa nem onde chegar sou tão perto de você
Quando a paz se anunciar, dentro de nós é porque aquilo que nos cega, mostra um outro lado da moeda que não apaga as coisas do meu peito o preço é me fazer acreditar sou tão perto de você
"Quem é homem de bem Não trai! O amor que lhe quer Seu bem! Quem diz muito que vai Não vai! Assim como não vai Não vem!...
Quem de dentro de si Não sai! Vai morrer sem amar Ninguém! O dinheiro de quem Não dá É o trabalho de quem Não tem! Capoeira que é bom Não cai! E se um dia ele cai Cai bem!...
Capoeira me mandou Dizer que já chegou Chegou para lutar Berimbau me confirmou Vai ter briga de amor Tristeza camará...
Se não tivesse o amor Se não tivesse o amor Se não tivesse essa dor Se não tivesse essa dor E se não tivesse o sofrer E se não tivesse o sofrer E se não tivesse o chorar E se não tivesse o chorar Melhor era tudo se acabar Melhor era tudo se acabar
Eu amei, amei demais O que eu sofri por causa de amor ninguém sofreu Eu chorei, perdi a paz Mas o que eu sei é que ninguém nunca teve mais, mais do que eu
Capoeira me mandou Dizer que já chegou Chegou para lutar Berimbau me confirmou Vai ter briga de amor Tristeza camará...
ê, ô... ê, ô... ê, ô...
O homem que diz "dou" Não dá! Porque quem dá mesmo Não diz! O homem que diz "vou" Não vai! Porque quando foi Já não quis! O homem que diz "sou" Não é! Porque quem é mesmo "é" Não sou! O homem que diz "tou" Não tá Porque ninguém tá Quando quer Coitado do homem que cai No canto de Ossanha Traidor! Coitado do homem que vai Atrás de mandinga de amor...
Vai! Vai! Vai! Vai! Não Vou! Vai! Vai! Vai! Vai! Não Vou! Vai! Vai! Vai! Vai! Não Vou! Vai! Vai! Vai! Vai! Não Vou!...
Que eu não sou ninguém de ir Em conversa de esquecer A tristeza de um amor Que passou Não! Eu só vou se for prá ver Uma estrela aparecer Na manhã de um novo amor...
Amigo sinhô Saravá Xangô me mandou lhe dizer Se é canto de Ossanha Não vá! Que muito vai se arrepender Pergunte pr'o seu Orixá O amor só é bom se doer Pergunte pr'o seu Orixá O amor só é bom se doer...
Que eu não sou ninguém de ir Em conversa de esquecer A tristeza de um amor Que passou Não! Eu só vou se for prá ver Uma estrela aparecer Na manhã de um novo amor...
É uma índia com colar A tarde linda que não quer se pôr Dançam as ilhas sobre o mar Sua cartilha tem o A de que cor?
O que está acontecendo? O mundo está ao contrário e ninguém reparou O que está acontecendo? Eu estava em paz quando você chegou
E são dois cílios em pleno ar Atrás do filho vem o pai e o avô Como um gatilho sem disparar Você invade mais um lugar Onde eu não estou
O que você está fazendo? Milhões de vasos sem nenhuma flor O que você está fazendo? Um relicário imenso deste amor
Corre a lua porque longe vai? Sobe o dia tão vertical O horizonte anuncia com o seu vitral Que eu trocaria a eternidade por esta noite
Porque está amanhecendo? Peço o contrario, ver o sol se por Porque está amanhecendo? Se não vou beijar seus lábios quando você se for
Quem nesse mundo faz o que há durar Pura semente dura: o futuro amor Eu sou a chuva pra você secar Pelo zunido das suas asas você me falou
O que você está dizendo? Milhões de frases sem nenhuma cor, ôôôô... O que você está dizendo? Um relicário imenso deste amor
O que você está dizendo? O que você está fazendo? Por que que está fazendo assim? ...está fazendo assim?
A Montanha Magica
(Renato Russo)
Sou meu próprio líder: ando em círculos Me equilíbro entre dias e noites Minha vida toda espera algo de mim Meio-sorriso, meia-lua, toda tarde. Minha papoula da Índia Minha flor da Tailândia És o que tenho de suave E me fazes tão mal. Ficou logo o que tinha ido embora Estou só um pouco cansado Não sei se isso termina logo Meu joelho dói E não há nada a fazer agora. Pra que servem os anjos? A felicidade mora aqui comigo Até segunda ordem Um outro agora vive minha vida Sei o que ele sonha, pensa e sente Não é coincidência minha indiferença Sou uma cópia do que faço O que temos é o que nos resta E estamos querendo demais. Minha papoula da Índia Minha flor da Tailândia És o que tenho de suave E me fazes tão mal. Existe um descontrole, que corrompe e cresce Pode até ser, mas estou pronto p'rá mais uma O que é que desvirtua e ensina? O que fizemos de nossas próprias vidas? O mecanismo da amizade, A matemática dos amantes - Agora só artesanato: O resto são escombros. Mas é claro que não vamos lhe fazer mal Nem é por isso que estamos aqui Cada criança com seu próprio canivete Cada líder com seu proprio .38 Minha papoula da Índia Minha flor da Tailândia Chegou - vou mudar a minha vida. Deixo o copo encher até a borda Que eu quero um dia de sol n'um copo d'água.
"Eu vou te contar que você não me conhece. Eu tenho que gritar isso porque você está surdo e não me ouve! A sedução me escraviza a você. Ao fim de tudo, você permanece comigo, mas preso ao que eu criei e não a mim. E quanto mais falo sobre a verdade inteira, um abismo maior nos separa. Você não tem um nome, eu tenho. Você é um rosto na multidão, eu sou o centro das atenções. Mas a mentira da aparência do que eu sou é a mentira da aparência do que você é, porque eu não sou o meu nome e você não é ninguém. O jogo perigoso que eu pratico aqui, ele busca a chegar ao limite possível da aproximação. Através da aceitação da distância e do reconhecimento dela. Entre eu e você existe a notícia que nos separa.Eu quero que você me veja nua, eu me dispo da notícia. E a minha nudez parada, te denuncia, e te espelha. Eu me delato, tu me relatas. Eu nos acuso e confesso por nós. Assim, me livro das palavras, com as quais você me veste."
Um Jeito Estúpido de Amar
Eu sei que eu tenho um jeito Meio estúpido de ser E de dizer coisas que podem Magoar e te ofender Mas cada um tem o seu jeito Todo próprio de amar E de se defender Você me acusa e só me preocupa Agrava mais e mais a minha culpa E eu faço e desfaço, contrafeito O meu defeito é te amar demais. Palavras são palavras E a gente nem percebe O que disse sem querer E o que deixou pra depois Mas o importante é perceber Que a nossa vida em comum Depende só e unicamente de nós dois Eu tento achar um jeito de explicar Você bem que podia me aceitar Eu sei que eu tenho um jeito meio estúpido de ser Mas é assim que eu sei te amar.
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces. Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto. No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz. Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada. Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado. Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face. Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos. Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas. Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
Esse sorriso lindo que fulmina Essa tez tão alva, esses movimentos sérios Contidos todos numa presença de menina Guardam em si todos os mistérios Da doce e lúbrica magia feminina. O sorrir desprezando hemisférios Formando lancinantes unhas felinas Surtindo volúpia e desidérios Destruindo destinos, criando sinas. Desfazendo harmonias Desatando desejos Abandonando o homem em agonia Mil facas num só lampejo De batons, pernas e covardia Pois logo que o vê preso Esconde-se a luz que ardia Em ares de apatia e desprezo. Em teus gestos de viúva negra Convidando à celebrar-te a maciez de nuvem De delicada hieródula grega Mesmo consciente da ilusão e estiagem Da ironia que teu olhar agrega Sirvo-me da tua presença, e absorto Observo que meu desejo transmuda-se em corpo De ilusões e de realidades De línguas efêmeras e eternas Repleta de deliciosas sensações Que, na dança das estações Busca no inverno teu mais lúbrico mel Teus lábios entreabertos com ares de fel E de fulminante prazer... O que haverei de fazer? Teu sorriso é ilusão Meu desejo, perdição.
Depois de ter você, pra quê querer saber que horas são? Se é noite ou faz calor, se estamos no verão, se o sol virá ou não, ou pra quê é que serve uma canção como essa?
Depois de ter você, poetas para quê? Os deuses, as dúvidas, pra quê amendoeiras pelas ruas? Para quê servem as ruas? Depois de ter você...
Que triste fue decirnos adiós cuando nos adorábamos más hasta la golondrina emigró presagiando el final
Que triste luce todo sin ti los mares de las playas se van se tiñen los colores de gris hoy todo es soledad
No se si vuelva a verte después no se que de mi vida será sin el lucero azul de tú ser que no me alumbra ya
Hoy quiero saborear mi dolor no pido compasión ni piedad la historia de este amor se escribió para la eternidad
Que triste todos dicen que soy que siempre estoy hablando de ti no saben que pensando en tú amor, en tú amor he podido ayudarme a vivir he podido ayudarme a vivir
Hoy quiero saborear mi dolor no pido compasión ni piedad la historia de este amor se escribió para la eternidad
Que triste todos dicen que soy que siempre estoy hablando de ti no saben que pensando en tu amor, en tu amor he podido ayudarme a vivir he podido ayudarme a vivir he podido ayudarme a vivir he podido ayudarme a viviiiiiir
abandonar tudo. conhecer praias. amores novos. poesia em cascatas floridas com aranhas azuladas nas samambaias. todo trabalhador é escravo. toda autoridade é cômica. fazer da anarquia um método & modo de vida. estradas. bocas perfumadas. cervejas tomadas nos acampamentos. Sonhar Alto.
- Veja você onde é que o barco foi desaguar - a gente só queria o amor... - Deus às vezes parece se esquecer - ai, não fala isso, por favor Esse é só o começo do fim da nossa vida Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida que a gente vai passar
- Veja você, quando é que tudo foi desabar A gente corre pra se esconder... - E se amar, se amar até o fim - sem saber que o fim já vai chegar Deixa o moço bater que eu cansei da nossa fuga Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas não ter o seu lugar
Abre a janela agora, deixa que o sol te veja É só lembrar que o amor é tão maior que estamos sós no céu Abre as cortinas pra mim que eu não me escondo de ninguém O amor já desvendou nosso lugar e agora esta de bem
Deixa o moço bater que eu cansei da nossa fuga Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas não ter o seu lugar
Diz quem é maior que o amor? Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora Vem, vamos além. Vão dizer que a vida é passageira Sem notar que a nossa estrela vai cair
Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar de fonte igual à deles; e era outra a origem da tristeza, e era outro o canto, que acordava o coração para a alegria. Tudo o que amei, amei sozinho. Assim, na minha infância, na alba da tormentosa vida, ergueu-se, no bem, no mal, de cada abismo, a encadear-me, o meu mistério. Veio dos rios, veio da fonte, da rubra escarpa da montanha, do sol, que todo me envolvia em outonais clarões dourados; e dos relâmpagos vermelhos que o céu inteiro incendiavam; e do trovão, da tempestade, daquela nuvem que se alterava, só, no amplo azul do céu puríssimo, como um demônio, ante meus olhos.
Se te pareço noturna e imperfeita Olha-me de novo. Porque esta noite Olhei-me a mim, como se tu me olhasses. E era como se a água Desejasse
Escapar de sua casa que é o rio E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há tanto tempo Entendo que sou terra. Há tanto tempo Espero Que o teu corpo de água mais fraterno Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta
Olha-me de novo. Com menos altivez. E mais atento.
II
Ama-me. É tempo ainda. Interroga-me. E eu te direi que o nosso tempo é agora. Esplêndida avidez, vasta ventura Porque é mais vasto o sonho que elabora
Há tanto tempo sua própria tessitura.
Ama-me. Embora eu te pareça Demasiado intensa. E de aspereza. E transitória se tu me repensas.
III
Se refazer o tempo, a mim, me fosse dado Faria do meu rosto de parábola Rede de mel, ofício de magia
E naquela encantadora livraria One os raros amigos me sorriam Onde a meus olhos eras torre e trigo
Meu todo corajoso de Poesia Te tomava. Aventurança, amigo, Tão extremada e larga
E amavio contente o amor teria sido.
IV
Minha medida? Amor. E tua boca na minha Imerecida.
Minha vergonha? O verso Ardente. E o meu rosto Reverso de quem sonha.
Meu chamamento? Sagitário Ao meu lado Enlaçado ao Touro.
Minha riqueza? Procura Obstinada, tua presença Em tudo: julho, agosto Zodíaco antevisto, página
Ilustrada de revista Editorial, jornal Teia cindida.
Em cada canto da Casa Evidência veemente Do teu rosto.
V
Nós dois passamos. E os amigos E toda a minha seiva, meu suplício De jamais te ver, teu desamor também Há de passar. Sou apenas poeta
E tu, lúcido, fazedor da palavra, Inconsentido, nítido
Nós dois passamos porque assim é sempre. E singular e raro este tempo inventivo Circundando a palavra. Trevo escuro
Desmemoriado, coincidido e ardente No meu tempo de vida tão maduro.
VI
Sorrio quando penso Em que lugar da sala Guardarás o meu verso. Distanciado Dos teus livros políticos? Na primeira gaveta Mas próxima à janela? Tu sorris quando lês Ou te cansa de ver Tamanha perdição Amorável centelha No meu rosto maduro? E te pareço bela Ou apenas te pareço Mais poeta talvez E menos séria? O que pensa o homem Do poeta? Que não há verdade na minha embriaguez E que me preferes Amiga mais pacífica E menos aventura? Que é de todo impossível Guardar na tua sala Vestígio passional Da minha linguagem? Eu te pareço louca? Eu te pareço pura? Eu te pareço moça?
Ou é mesmo verdade Que nunca me soubeste?
VII
Foi julho sim. E nunca mais esqueço. o ouro em mim, a palavra Irisada na minha boca A urgencia de me dizer em amor Tatuada de memória e confidência. Setembro em enorme silêncio Distancia meu rosto. Te pergunto: de julho em mim ainda te lembras?
Disseram-me os amigos que Saturno Se refaz este ano. E é tigre E é verdugo. E que os amantes
Pensativos, glaciais Ficarão surdos ao canto comovido. E em sendo assim, amor, De que me adianta a mim, te dizer mais?
VIII
De luas, desatino e aguaceiro Todas as noites que não foram tuas. Amigos e meninos de ternura
Intocado meu rosto-pensamento Intocado meu corpo e tão mais triste Sempre à procura do teu corpo exato.
Livra-me de ti. Que eu reconstrua Meus pequenos amores. A ciência De me deixar amar Sem amargura. E que me dêem
A enorme incoerência De desamar, amando. E te lembrando
- Fazedor de desgosto - Que eu te esqueça.
IX
Esse poeta em mim sempre morrendo Se tenta repetir salmodiando: Como te conhecer, arquiteto do tempo Como saber de mim, sem te saber? Algidez do teu gesto, minha cegueira E o casto incendiado momento Se ao teu lado me vejo. As tardes Fiandeiras, as tardes que eu amava, Matéria de solidão, íntimas, claras Sofrem a sonolência de umas águas Como se um barco recusasse sempre A liquidez. Minhas tardes dilatadas
Sobreexistindo apenas Porque à noite retomo minha verdade: Teu contorno, teu rosto, álgido sim
E por isso, quem sabe, tão amado.
X
Não é apenas um vago, modulado sentimento o que me faz cantar enormemente A memória de nós. É mais. É como um sopro De fogo, é fraterno e leal, é ardoroso É como se a despedida se fizesse o gozo De saber Que há no teu todo e no meu, um espaço Oloroso, onde não vive o adeus.
Não é apenas vaidade de querer Que aos cinquenta Tua alma e teu corpo se enterneçam Da graça, da justeza do poema. É mais. E por isso perdoa todo esse amor de mim
Perto do fogo Como faziam os hippies Perto do fogo Como na Idade Média Eu quero queimar minha erva Eu quero tá perto do fogo
Quando tudo explodir Mas não vai explodir nada Vão ficar os homens se olhando Dizendo: "O momento está chegando" 2000, é ano 2000 E não vai mudar nada E não vai mudar nada
Perto do fogo Eu queria tá perto do fogo No umbigo d'um furacão E no peito, um gavião
Perto do fogo Eu quero tá perto do fogo No umbigo de um furacão E no peito, um gavião
No coração da cidade Defendendo a liberdade Eu quero ser uma flor Nos teus cabelos de fogo Quero estar no poder Eu quero estar perto do fogo
"Um gesto como este se prepara no silêncio do coração, da mesma forma que uma grande obra. O próprio homem o ignora. Uma tarde, ele dá um tiro ou um mergulho(...)"
"Matar-se é de certo modo, como no melodrama,confessar. Confessar que se foi ultrapassado pela vida ou que não se tem como compreendê-la. (...) Naturalmente nunca é fácil viver. Continua-se a fazer os gestos que a existência determina por uma série de razões entre as quais a primeira é o hábito. Morrer voluntariamente pressupõe que se reconheceu, ainda que instintivamente, o caráter irrisório desse hábito, a ausência de qualquer razão profunda de viver e a inutilidade do sofrimento."
(Camus, Albert. O Mito de Sísifo. Ensaio sobre o absurdo. Rio de Janeiro. Ed. Guanabara, 1989, p. 24-25)
Você atravessando aquela rua vestida de negro E eu te esperando em frente a um certo Bar Leblon Você se aproximando e eu morrendo de medo Ali, bem mesmo em frente a um certo Bar Leblon
Quando eu atravessava aquela rua morria de medo De ver o teu sorriso e começar um velho sonho bom E o sonho, fatalmente, viraria pesadelo Ali, bem mesmo em frente a um certo Bar Leblon
Vamos entrar
Não tenho tempo
O que é que houve?
O que é que há?
O que é que houve meu amor, Você cortou os seus cabelos?
Love of my life, you've hurt me You've broken my heart and now you leave me Love of my life, can't you see? Bring it back, bring it back, don't take it away from me because you don't know what it means to me...
Love of my life don't leave me You've stolen my heart and now desert me Love of my life, can't you see? Bring it back, bring it back, don't take it away from me because you don't know what it means to me...
You'll remember when this is blown over, and everything's all by the way When I grow older, I will be there at your side to remind you how I still love you, I still love you...
Back, hurry back, please bring it back home to me because you don't know what it means to me
Love of my life, love of my life... Uhhh... Yeah....
Consta nos astros, nos signos, nos búzios Eu li num anúncio, eu vi no espelho, tá lá no evangelho, garantem os orixás Serás o meu amor, serás a minha paz Consta nos autos, nas bulas, nos dogmas Eu fiz uma tese, eu li num tratado, está computado nos dados oficiais Serás o meu amor, serás a minha paz Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário nos contrariar Mas se o destino insistir em nos separar Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos Profetas, sinopses, espelhos, conselhos Se dane o evangelho e todos os orixás Serás o meu amor, serás, amor, a minha paz Consta na pauta, no Karma, na carne, passou na novela Está no seguro, pixaram no muro, mandei fazer um cartaz Serás o meu amor, serás a minha paz Consta nos mapas, nos lábios, nos lápis Consta nos Ovnis, no Pravda, na Vodca
"Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex (...) talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem junto para Paris (...) talvez um se matasse, o outro negativasse. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe. Talvez tudo, talvez nada."
Quero que todos os dias do ano todos os dias da vida de meia em meia hora de 5 em 5 minutos me digas: Eu te amo.
Ouvindo-te dizer: Eu te amo, creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior e no seguinte, como sabê-lo?
Quero que me repitas até a exaustão que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação pois ao não dizer: Eu te amo, desmentes apagas teu amor por mim.
Exijo de ti o perene comunicado. Não exijo senão isto, isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra nem sei de outra maneira a não ser esta de reconhecer o dom amoroso, a perfeita maneira de saber-se amado: amor na raiz da palavra e na sua emissão, amor saltando da língua nacional, amor feito som vibração espacial.
No momento em que não me dizes: Eu te amo, inexoravelmente sei que deixaste de amar-me, que nunca me amastes antes.
Se não me disseres urgente repetido Eu te amoamoamoamoamo, verdade fulminante que acabas de desentranhar, eu me precipito no caos, essa coleção de objetos de não-amor.
Ni tú ni yo estamos en disposición de encontrarnos. Tú... por lo que ya sabes. ¡Yo la he querido tanto! Sigue esa veredita. En las manos tengo los agujeros de los clavos. ¿No ves cómo me estoy desangrando? No mires nunca atrás, vete despacio y reza como yo a San Cayetano, que ni tú ni yo estamos en disposición de encontrarnos.
Hay tanto que quiero contarte hay tanto que quiero saber de ti, ya podemos empezar poco a poco cuéntame que te trae por aquí.
No te asustes de decirme la verdad eso nunca puede estar así tan mal yo también tengo secretos para darte y que sepas que no me sirven mas.
Hay tantos caminos por andar...
Dime si tú quisieras andar conmigo oh, oh, oh... Cuéntame si quisieras andar conmigo oh, oh, oh...
Estoy ansiosa por soltarlo todo desde el principio hasta llegar al día de hoy; una historia tengo aquí para entregarte, una historia todavía sin final
Podríamos decirnos cualquier cosa incluso darnos para siempre un siempre no, pero ahora frente a frente aquí sentados festejemos que la vida nos cruzó
Dime si tú quisieras andar conmigo oh, oh, oh... Cuéntame si quisieras andar conmigo oh, oh, oh...
Si quisieras andar conmigo
Parte 2: Límon y Sal
Tengo que confesar que a veces no me gusta tu forma de ser luego te me desapareces y no entiendo muy bien por qué no dices nada romántico cuando llega el atardecer te pones de un humor extraño con cada luna llena al mes.
Pero a a todo lo demás le gana lo bueno que me das sólo tenerte cerca siento que vuelvo a empezar.
CORO: Yo te quiero con limón y sal, yo te quiero tal y como estás, no hace falta cambiarte nada, yo te quiero si vienes o si vas, si subes y bajas y no estás seguro de lo que sientes.
Tengo que confesarte ahora nunca creí en la felicidad a veces algo se le parece, pero es pura casualidad.
Luego me vengo a encontrar con tus ojos y me dan algo más solo tenerte cerca siento que vuelvo a empezar.
CORO
Solo tenerte cerca siento que vuelvo a empezar....
Parte 3: Me voy
Porque no supiste entender a mi corazón lo que había en el, porque no tuviste el valor de ver quién soy.
Porque no escuchas lo que está tan cerca de ti, sólo el ruido de afuera y yo, que estoy a un lado desaparezco para ti
No voy a llorar y decir, que no merezco esto porque, es probable que lo merezco pero no lo quiero, por eso...
Me voy, que lástima pero adiós me despido de ti y me voy, que lástima pero adiós me despido de ti.
Porque sé, que me espera algo mejor alguien que sepa darme amor, de ese que endulza la sal y hace que, salga el sol.
Yo que pensé, nunca me iría de ti, que es amor del bueno, de toda la vida pero hoy entendí, que no hay suficiente para los dos.
No voy a llorar y decir, que no merezco esto porque, es probable que lo merezco pero no lo quiero, por eso...
Me voy, que lástima pero adiós me despido de ti y me voy, que lástima pero adiós me despido de ti.
Me voy, que lástima pero adiós me despido de ti y me voy, que lástima pero adiós me despido de ti y me voy.
Me voy, que lástima pero adiós me despido de ti y me voy, que lástima pero adiós me despido de ti y me voy.
Estranho amor Regressaste eu te aceito E novamente o silêncio Entre nós foi desfeito Vinhas buscar em meus braços A ternura de outrora Estranho amor vingativo Que me consome e devora Estranho amor Regressaste eu te aceito Pois minhas noites são longas E os meus dias são vazios Perto de ti sofro muito Longe de ti sofro mais Somos iguais Vivemos do ódio do amor
Ah, quem me dera Ir-me contigo
agora A um horizonte firme, comum Embora amar-te Ah, quem me dera
amar-te Sem mais ciúmes De alguém em algum lugar Que nem
presumes
Ah, quem me dera ver-te Sempre a meu lado Sem precisar
dizer-te Jamais cuidado Ah, quem me dera ter-te Como um
lugar Plantado num chão verde Para eu morar-te
"Abril é o mais cruel dos meses, germina Lilases da terra morta, mistura Memória e desejo, aviva Agônicas raízes com a chuva da primavera O inverno nos agasalhava, envolvendo A terra em neve deslembrada, nutrindo Com secos tubérculos o que ainda restava de vida."
(T.S. Eliot, "O enterro dos mortos", A Terra Desolada)
Vamos dormir juntos, meu bem, sem sérias patologias. Meu amor é este ar tristonho que eu faço pra te afligir, um par de fronhas antigas onde eu bordei nossos nomes com pontos cheios de suspiros.
Tout le monde est une drôle de personne, Et tout le monde a l'âme emmêlée, Tout le monde a de l'enfance qui ronronne, Au fond d'une poche oubliée, Tout le monde a des restes de rêves, Et des coins de vie dévastés, Tout le monde a cherché quelque chose un jour, Mais tout le monde ne l'a pas trouvé, Mais tout le monde ne l'a pas trouvé.
Il faudrait que tout le monde réclame auprès des autorités, Une loi contre toute notre solitude, Que personne ne soit oublié, Et que personne ne soit oublié
Tout le monde a une seule vie qui passe, Mais tout le monde ne s'en souvient pas, J'en vois qui la plient et même qui la cassent, Et j'en vois qui ne la voient même pas, Et j'en vois qui ne la voient même pas.
Il faudrait que tout le monde réclame auprès des autorités, Une loi contre toute notre indifférence, Que personne ne soit oublié, Et que personne ne soit oublié.
Tout le monde est une drôle de personne, Et tout le monde a une âme emmêlée, Tout le monde a de l'enfance qui résonne, Au fond d'une heure oubliée, Au fond d'une heure oubliée
Mama, ooh, I don't want to die,/ I sometimes wish I'd never been born at all...
(...) I'm just a poor boy and nobody loves
me. He's just a poor boy from a poor family, Spare him his life from this
monstrosity. Easy come, easy go, will you let me go. Bismillah! No, we
will not let you go. (Let him go!) Bismillah! We will not let you go. (Let
him go!) Bismillah! We will not let you go. (Let me go.) Will not let you
go. (Let me go.) Will not let you go. (Let me go.) Ah. No, no, no, no, no,
no, no. (Oh mama mia, mama mia.) Mama mia, let me go. Beelzebub has a
devil put aside for me, for me, for me
So you think you can stone me and
spit in my eye So you think you can love me and leave me to die Oh
baby-cant do this to me baby Just gotta get out Just gotta get right outta
here
Nothing really matters, Anyone can see, Nothing really
matters-,nothing really matters to me,
"Fiz de mim o que não soube E o que podia fazer de mim não o fiz. O dominó que vesti era errado. Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. Quando quis tirar a máscara, Estava pegada à cara. Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido."
Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo, Serviram-me o amor como dobrada fria. Disse delicadamente ao missionário da cozinha Que a preferia quente, Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.
Impacientaram-se comigo. Nunca se pode ter razão, nem num restaurante. Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta, E vim passear para toda a rua.
Quem sabe o que isto quer dizer? Eu não sei, e foi comigo...
(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim Particular ou público, ou do vizinho. Sei muito bem que brincarmos era o dono dele. E que a tristeza é de hoje).
Sei isso muitas vezes, Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram Dobrada à moda do Porto fria? Não é prato que se possa comer frio. Não me queixei, mas estava frio, Nunca se pode comer frio, mas veio frio.